Impressionismo1876

O Balanço

Auguste Renoir

O olhar do curador

"Observe as manchas de luz "suja" nas roupas e no chão: esta representação revolucionária de sombras coloradas e reflexos móveis provocou um escândalo entre os críticos da época, que viam nelas manchas de decomposição nos tecidos."

Pintada em 1876 paralelamente ao Bal du moulin de la Galette, esta tela é a encarnação pura da felicidade impressionista. Renoir captura a vibração efêmera da luz filtrada pelas folhas, transformando uma cena de lazer comum num ícone da vida parisiense moderna.

Análise
Pintada nos jardins da rua Cortot em Montmartre, O Balanço representa um momento suspenso, uma conversa galante numa atmosfera de verão. Renoir afasta-se aqui da narração clássica para se concentrar na interação entre as figuras e o seu ambiente atmosférico. A personagem central, Jeanne, uma jovem costureira que se tornou modelo, parece hesitante entre o movimento do balanço e a troca com o homem de costas, criando uma tensão narrativa subtil e encantadora. Esta obra é o manifesto da visão de Renoir: a pintura deve ser uma celebração do prazer e do olhar. Ao contrário dos realistas que se focavam nas dificuldades sociais, Renoir procura a harmonia cromática. O azul das sombras e o branco brilhante do vestido da jovem não são cores planas, mas uma justaposição de pinceladas rápidas que imitam o cintilar do olho humano perante uma intensidade luminosa intensa. A influência da arte rococó do século XVIII, nomeadamente de Fragonard e Watteau, é evidente na escolha do tema galante. No entanto, Renoir transpõe esta tradição para a modernidade do final do século XIX através da técnica e do realismo dos trajes. Transforma a "fête galante" aristocrática numa "saída ao campo" democrática, acessível à nova burguesia parisiense que se apropria das colinas de Montmartre para o seu lazer. Finalmente, a obra testemunha a coesão do grupo impressionista naquela época. Os modelos não são desconhecidos mas amigos próximos: Edmond Renoir (o irmão do pintor), o pintor Norbert Goeneutte e Jeanne. Esta proximidade confere à cena uma autenticidade e uma descontração que rompem definitivamente com as poses rígidas do academicismo, propondo uma nova verdade psicológica ancorada na espontaneidade do momento presente.
O Segredo
Um dos maiores segredos desta tela é a receção crítica de uma violência inaudita que sofreu durante a exposição impressionista de 1877. O crítico de arte Louis Leroy comparou as manchas de luz no vestido da mulher a "manchas de gordura" ou "podridão". O que hoje percebemos como um domínio genial da luz era então considerado como uma prova de incompetência técnica ou de loucura visual. O local de criação também esconde uma anedota histórica. O atelier e o jardim da rua Cortot onde Renoir pintou esta obra tornaram-se hoje o Museu de Montmartre. Era um lugar de vida comunitária para os artistas onde o balanço estava realmente instalado. Renoir tinha de transportar esta imensa tela todos os dias do seu atelier para o jardim para captar precisamente as variações da luz solar às mesmas horas do dia. Um segredo técnico reside no uso das sombras. Se olhar atentamente, não há um pingo de preto no quadro. Renoir utilizava azuis de cobalto e ultramar profundos para sugerir a sombra, uma teoria que levou ao extremo aqui. Esta ausência total de preto "puro" contribui para a sensação de calor e saturação luminosa que emana da tela, mesmo nas zonas menos iluminadas pelo sol. Existe uma ligação secreta entre este quadro e o "Bal du moulin de la Galette". Foram pintados exatamente ao mesmo tempo e partilham a mesma paleta, os mesmos modelos e sobretudo a mesma ambição técnica de capturar as manchas de luz solar. Pode-se considerar O Balanço como um estudo mais íntimo e vertical das investigações de grupo empreendidas no Moulin de la Galette.

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Durante a exposição impressionista de 1877, que aspecto específico de "O Balanço" indignou particularmente a crítica conservadora, liderada por Louis Leroy?

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Instituição

Musée d'Orsay

Localização

Paris, França