Idade Média1280
A Virgem e o Menino em majestade rodeados por seis anjos
Cimabue
O olhar do curador
"O trono arquitetónico detalhado e o uso magistral da crisografia nas vestes."
Uma obra-prima monumental da Maniera Greca, marcando a transição entre a hierarquia bizantina e o humanismo nascente.
Análise
A Maestà de Cimabue, pintada por volta de 1280, representa o auge da arte italo-bizantina. Esta obra rompe com o espaço puramente simbólico ao tentar conferir volume e peso às figuras sagradas. A Virgem Maria é retratada com uma escala sobre-humana, sublinhando a sua importância teológica, mas os seus traços faciais começam a exibir uma suavidade que se afasta da rigidez das ícones orientais. O trono, ricamente decorado, funciona como uma estrutura arquitetónica que tenta definir um espaço tridimensional no vácuo dourado.
A análise técnica destaca a "chrysography" (linhas de ouro sobre o tecido), utilizada por Cimabue para sugerir o movimento das dobras e a forma do corpo. Este recurso, embora tradicional, é levado a um novo nível de complexidade rítmica. A expressão dos anjos, que rodeiam o trono em adoração silenciosa, revela um início de individualização e profundidade psicológica. Maria olha diretamente para o fiel, atuando como mediadora entre o divino e o humano, numa composição que respira a transição para a modernidade pictórica.
Análises laboratoriais modernas revelaram que Cimabue utilizou uma técnica de têmpera de ovo altamente refinada, permitindo transições tonais subtis que eram impossíveis em frescos. Um segredo oculto na obra é a proporção matemática do trono, que segue princípios que seriam mais tarde formalizados por arquitetos renascentistas. Além disso, a preservação do azul ultramarino original no manto da Virgem é um testemunho da qualidade excepcional dos materiais utilizados, vindos de minas distantes no Afeganistão através das rotas comerciais de Veneza.
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