Realismo1864

Lembrança de Mortefontaine

Jean-Baptiste-Camille Corot

O olhar do curador

"A técnica dos "flocos" de luz na folhagem, criando uma vibração atmosférica única."

O auge do estilo vaporoso de Corot, onde a natureza se torna uma paisagem interior banhada em melancolia prateada.

Análise
Pintada em 1864, esta obra-prima encarna a maturidade de Jean-Baptiste-Camille Corot, período em que ele abandona a precisão topográfica pela poética da recordação. A obra não descreve um local geográfico preciso, mas reconstrói uma emoção vivida perto das lagoas do Oise. Corot utiliza aqui uma paleta "prateada" que se tornou a sua assinatura, onde degradês de cinza, verdes suaves e castanhos criam uma unidade tonal absoluta. A técnica é revolucionária: o pintor sobrepõe camadas de vernizes transparentes e termina com toques de branco puro. Historicamente, o quadro marca a ponte entre a paisagem clássica e a sensibilidade pré-impressionista. A psicologia da obra é a de um homem idoso meditando sobre a evanescência da beleza. O silêncio que emana da tela é quase palpável, convidando a uma contemplação quase religiosa da natureza. Corot não procura copiar a realidade, mas extrair a sua quintessência espiritual, tornando-se o primeiro "pintor da atmosfera" no sentido moderno.
O Segredo
Um segredo técnico reside no uso de pincéis de texugo extremamente macios, que Corot utilizava para esfumar os contornos. Análises científicas recentes mostraram que Corot modificou a posição da figura feminina várias vezes para aperfeiçoar o equilíbrio rítmico. O quadro foi adquirido pessoalmente por Napoleão III em 1864, consolidando o estilo tardio de Corot como o padrão da paisagem poética francesa.

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Quiz

Que grande inovação técnica Corot utiliza nesta obra para criar o aspeto vaporoso e atmosférico da folhagem?

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Instituição

Musée du Louvre

Localização

Paris, França