Pós-impressionismo1831

A Grande Onda de Kanagawa

Katsushika Hokusai

O olhar do curador

"A obra apresenta uma imensa onda cuja espuma se transforma em garras afiadas. Três barcos lutam contra a ondulação. No centro, o monte Fuji aparece minúsculo mas central, criando um contraste entre o efémero da onda e a eternidade da montanha sagrada."

Obra-prima absoluta da arte japonesa e ícone mundial, A Grande Onda de Kanagawa é a primeira prancha da série "Trinta e seis vistas do monte Fuji". Hokusai captura o instante em que a potência do oceano ameaça cair sobre os barcos dos pescadores.

Análise
A Grande Onda de Kanagawa (1831) marca o apogeu do movimento ukiyo-e. Embora o Japão estivesse isolado, Hokusai integrou influências ocidentais como a perspectiva e o azul da Prússia. Este pigmento oferecia uma profundidade inédita às nuances do oceano, rompendo com os pigmentos tradicionais. O contexto histórico é o de um Japão em mutação. O monte Fuji representa a imortalidade para as confrarias religiosas. Ao colocar o Fuji no cavo da onda, Hokusai cria um diálogo espiritual: a montanha torna-se o ponto de ancoragem metafísico frente ao caos da existência. É uma meditação sobre a resiliência humana. A técnica da xilogravura atinge aqui uma sofisticação extrema. A análise estilística revela uma fusão entre o naturalismo japonês e o dinamismo gráfico. A onda está personificada, viva, quase monstruosa, lembrando os dragões da mitologia japonesa. Esta animação da natureza é típica do pensamento xintoísta. Psicologicamente, a obra joga com o medo e o fascínio. O espectador situa-se quase ao nível da água, acentuando o efeito de submersão. Os remadores encarnam o fatalismo heróico. Não lutam contra a onda mas abandonam-se ao seu poder, uma metáfora do conceito budista de impermanência (Mujo).
O Segredo
Um dos segredos revelados pela ciência concerne à espuma. Hokusai utilizou uma técnica de raspagem para acentuar a brancura das garras da onda. Análises recentes mostraram que as primeiras edições usavam uma mistura complexa de azul da Prússia e índigo para criar uma vibração cromática única. Um mistério reside na identidade dos barcos. São "oshiokuri-bune", barcos rápidos que transportavam peixe fresco para Edo. A sua presença sublinha a urgência. Além disso, a assinatura de Hokusai marca a sua vontade de se reinventar aos setenta anos, signo de uma busca de excelência ininterrupta. Um segredo compositivo é o vínculo com a ciência europeia. A estrutura da onda segue uma espiral logarítmica perfeita. Finalmente, o monte Fuji esconde uma ilusão: Hokusai pintou-o com neves eternas embora a tempestade sugira outra estação, privilegiando o símbolo sobre a realidade.

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Instituição

Metropolitan Museum of Art

Localização

New York, Estados Unidos